quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Doce informalidade na Baixada Santista
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21:04
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Entrevistas e Perfis
por Lorelay Mendes
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
A mendicância, mais uma vez!

A mendicância já foi abordada no “Sem Carimbo na Carteira”, mas agora vou falar das pessoas que garantem seu salário trabalhando em trens.
Os cerca de 1 milhão e 600 mil passageiros que diariamente passam pelas 83 estações da Grande São Paulo dividem espaço com 400 mendigos que circulam pelos trens. A CPTM (Companhia Paulistana de Transporte Metropolitano) reconhece a indústria da mendicância, mas, também, o grande número de aproveitadores nesse grupo.
Porém, há pessoas do bem, como Simone Rodrigues, cearense de 28 anos. Ela viaja todos os dias pelos trens da CPTM com o filho pequeno no colo e o mais novo pelo braço. Com o dinheiro que recebe, que pode chegar a R$ 100 por dia, a ex-auxiliar de cozinha alimenta os filhos e paga o aluguel. “Não falta nada para eles”, conta.
O filho mais novo ainda recolhe latinhas, das quais o dinheiro que arrecada fica para ele comprar seus brinquedos.
A história de Simone é apenas uma dentre a de tantos "profissionais da esmola" que ganham a vida nos trens. Vivendo em São Paulo desde pequena, Simone não sabe ler nem escrever, mas ainda tem um fio de esperança de voltar a trabalhar como auxiliar de cozinha. Mas, enquanto isso não acontece [SE acontecer], ela sustenta a família por meio da benevolência dos passageiros da CPTM.
Imagem modificada. Original retirada do site:
http://cavaleiroconde.blogspot.com/2006/11/welfare-state-o-estado-da-mendicancia.html
Fonte: Diário de São Paulo, 23 de setembro de 2007. “Nos vagões de São Paulo” – A3.
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20:41
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por Aline Torrieri
sábado, 22 de setembro de 2007
“Me desculpem atrapalhar a viagem de vocês,
![]()
mas estou aqui, humildemente, pedindo a sua ajuda para colaborar no orçamento de minha família. A situação no país está difícil para quem não tem estudo como eu... (...) ...e por apenas três reais, você leva esse delicioso pacote de balas...”
Esse é um discurso básico ouvido por praticamente todos os passageiros de ônibus. Ele é proferido por vendedores informais que não estão computados nem no IBGE, nem na Receita Federal:
O vendedor ambulante de transporte público
Seu perfil é o mais variado possível. Como qualquer outro ambulante já mencionado aqui no blog, das duas uma: ou não conseguiu emprego formal em lugar nenhum, ou prefere viver sem prestar contas do que faz. Prejudicando a economia, claro.
Muitas vezes, pela boa-vontade dos motoristas, entram no ônibus sem pagar a passagem. Alguns passam deixando um bilhete explicativo, esperando recolhe-lô junto com o dinheiro antes de descer. Outros deixam uma amostra da mercadoria para depois pegá-la de volta ou receber o pagamento. E para convencer o passageiro vale tudo; até fingir-se de deficiente, como contou ter visto o estudante Bruno, 16, de Praia Grande. “O cara dizia que era cego, mas usava lentes.”
Entrevistei hoje seis estudantes da mesma faixa etária que Bruno. Todos encontram os vendedores em até 80% das viagens de ônibus. Aqueles que compram, não o fazem por pena ou colaboração. Mas pelo produto em si.
Toda essa caracterização é mais um sintoma da falta de fiscalização da Receita Federal. Nunca os jornais da Baixada Santista noticiaram flagrantes desses ambulantes ou apreensão de produtos. Tornaram-se endêmicos.
Talvez algum dia consigam sua regulamentação, assim como os flanelinhas e guardadores de carro. Assim espero.
E aceito sugestões de pauta para o próximo post.
Imagem: Wikipédia - a Enciclopédia livre
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13:08
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por Marina Guimarães
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Em busca de horizontes mais amplos
a criatividade para
faturar mais
Murilo dos Santos Junior, carioca de Bonsucesso, é bom exemplo disso, como mostra reportagem exibida no programa Fantástico em 9 de setembro desse ano. Há 15 anos, na época com 13 anos, Murilo deixou sua casa no Rio de Janeiro para engraxar sapatos em Nova Iorque.
Ele tem conquistado clientes cada vez mais importantes, e sua vida está prestes a se tornar conhecida em todo o mundo. Doug Stumpf, um dos editores mais influentes de Nova York e cliente de Murilo, transformou sua história em livro, o "Confissões de um garoto engraxate de Wall Street" - do qual o rapaz tem participação no lucro das vendas – e logo será contada no cinema, num filme escrito por Charles Levitt.
Paulo Luiz de Oliveira, 21, é outro exemplo. O trabalho que lhe rendia até R$ 30 por dia na Praça Afonso Pena, na Tijuca, começou a render de R$ 30 a R$ 60 com o uso de celular, terno, gravata e a utilização de um tapete vermelho.
Percebe-se que o que falta para essas pessoas não é criatividade nem força de vontade, mas oportunidades. E, se não é possível formalmente, elas criam as oportunidades por conta própria, por meio da informalidade criativa.
Imagem de Celso de Castro Barbosa/G1, retirada do site:
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL100450-5606,00.html
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22:03
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por Aline Torrieri
domingo, 16 de setembro de 2007
Trabalho de estagiário
Tamires Miranda de Azevedo, 17, é estagiaria de uma Agência da Caixa Econômica Federal. Todas as agências da Caixa costumam contratar estagiários com idade entre 16 e 17 anos de idade. Eles devem estar estudando para serem selecionados. Abaixo temos uma entrevista com Tamires.
CINTIA: Como você começou a trabalhar na Caixa?
TAMIRES: Um dia, na escola, uma menina que eu nem conhecia veio falar comigo. Ela perguntou se eu trabalhava, e eu disse que não; então ela perguntou se eu queria trabalhar, e eu disse que sim. Ela pediu para eu levar um currículo para ela no dia seguinte, porque tinha uma agência da Caixa que estava contratando estagiários. Eu levei, mas não es
tava acreditando muito nessa história. Depois eu conheci melhor essa menina. Ela já era uma estagiária da Caixa e se chama Gabriele. Ela agendou uma entrevista com uma das gerentes da agência, que gostou muito de mim, e depois com a Gerente Geral. Tive que fazer uma redação sobre o “caso da Wolksvagem”, mas como eu não sabia do que se tratava eu fiz sobre política. Depois de 2 dias, a gerente me ligou. Eu deveria fazer um cadastro no CIEE. Uma semana depois eu já estava trabalhando.
CINTIA: Esse foi seu 1º emprego?
TAMIRES: Sim. Eu tinha tentado um entrevista para estagio na UFABC (Universidade Federal do ABC), mas não passei porque eu tinha apenas 15 anos.
CINTIA: Você não tem carteira de trabalho assinada então?
TAMIRES: Não. Eu só assinei um contrato, que vale por 2 anos. Caso eu repita uma série no colégio, esse contrato pode durar por mais um ano.
CINTIA: Você gosta de trabalhar na Caixa?
TAMIRES: Gosto muito. Não queria ter que sair no final desse ano. Gosto do pessoal que trabalha comigo, fiz muitas amizades, tem vários clientes legais também. E também gosto do serviço, ficar sem fazer nada em casa é muito pior. Mas como sei que meu contrato acaba em dezembro desse ano, eu já estou distribuindo currículos. O que eu quero mesmo é passar num concurso da Caixa.
CINTIA: Você gostaria de fazer uma faculdade?
TAMIRES: Antes de entrar na Caixa eu queria fazer Design de Interiores, mas agora eu quero fazer estatística ou economia.
CINTIA: Você já sofreu algum tipo de acidente no trabalho?
TAMIRES: Antes de trabalhar eu tinha o pulso de um dos braços aberto, isso era normal. Mas agora eu tenho tendinite. Um dia meu pulso começou a doer e eu fui ao médico. Ele diagnosticou que eu estava com inflamação nos tendões e engessou meu braço inteiro. Era para eu ter ficado com o gesso por 8 dias, mas no 5º dia eu tirei porque meu braço estava inchando e meus dedos estavam ficando roxos. Hoje ele ainda dói, mas eu já me acostumei com a dor. Estou usando uma munhequeira e isso ajuda a diminuir a dor.
Foto retirada do site: http://www.vidauniversitaria.com.br/blog/category/o_estagiario/
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17:51
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por Cintia S. Nardelli
sábado, 15 de setembro de 2007
Brincadeira - Continuação
Olá! Hoje vou continuar a falar da Dirce, que, ao longo de sua vida, fez vários trabalhos informais, sempre "se divertindo". Se quiser ver o post anterior, clique aqui.
Dirce não tem pessoa jurídica. Afinal, há semanas em que ela não consegue ganhar um tostão com isso. E, quando aparece essa grande excessão que é o teatro, ela simplesmente compra a nota fiscal de uma amiga.. O custo varia de acordo com uma porcentagem calculada sobre a complexidade da roupa. As do ano passado, por exemplo, ficaram entre R$25,00 e R$30,00 cada uma.
Dessa forma, ela torna-se invisível para a Cultura Inglesa-SP. Quem aparece é a amiga, dona de uma confecção e uma loja de botões. Só os atores reconhecem o trabalho que ela teve.
Seus conhecimentos de costura têm nível profissional. Dirce sabe o ofício desde os 15 anos, quando aprendeu a fazer ternos de alfaiate para ajudar a mãe. Ela era uma costureira famosa em seu bairro na década de 50. Porém, por culpa de uma cirurgia nos olhos, acabou ficando sem poder costurar. "Foi aí que começou a brincadeira; eu peguei toda a clientela da minha mãe", conta.
Mas nunca levou a costura a sério; casou-se com dezessete anos e ajudava seu marido em um bar do qual era dono. Desde quando ele se aposentou por um problema na perna, Dirce já teve vários trabalhos. "Ficar parada não dá, né?", ri. Trabalhou em uma fábrica de sofás, num açougue e até como zeladora de um prédio.
Tentou utilizar a contribuição destes anos para tornar-se pensionista, mas não conseguiu. "Não compensa. O que eu teria que pagar seria demais em relação ao que eu teria para receber. O tempo em que contribui foi muito pequeno", explica.
A idéia de abrir uma confecção própria também é totalmente descartada. "Não quero muita responsabilidade", confessa. Assim como a de tornar-se sócia de alguém que seja dona de uma, como sua amiga. " Ela é a cabeça e já tem todas as idéias. Eu estou velha e não quero ser mandada ".
Dirce não é a favor do trabalho informal. Aconselha aos mais jovens que comecem a contribuir com o INPS logo cedo, seja como pessoa jurídica ou física. "Assim, quando fica mais velha, a pessoa pode parar de trabalhar...", conclui. Todos na família tem o CPF regularizado e pagam todos os impostos que devem pagar.
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09:28
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por Marina Guimarães
domingo, 9 de setembro de 2007
Outra realidade...
Hoje vamos conhecer mais um trabalhador informal.
O nome dela é Valdivia Angélica Silva Bena, tem 39 anos de idade e é depiladora.
A seguir uma entrevista feita com ela em seu local de trabalho, sua própria casa.
CINTIA – Como e por que começou a trabalhar nessa área?
VALDIVIA – Foi um “quebra-galho”. Tenho o magistério e posso dar aulas para crianças até a quarta série do ensino fundamental. Eu não estava conseguindo emprego nessa área, pois ela estava muito saturada.
CINTIA – Então você já trabalhou com registro na carteira?
VALDIVIA – Sim. Meu último emprego registrado foi como caixa da Padaria Brasileira, em Santo André, no ano de 2000.
CINTIA – Há quanto tempo você é depiladora?
VALDIVIA – 2 anos.
CINTIA – O que você ganha de salário é suficiente para sustentar sua família?
VALDIVIA – Não. Meu marido trabalha para sustentar a casa. E eu trabalho para complementar as despesas.
CINTIA - Conte um pouco como é sua rotina de trabalho:
VALDIVIA – Eu trabalho todos os dias. Geralmente o movimento começa na 4º feira, quando minhas clientes ligam e marcam um horário para serem atendidas. Como eu trabalho em casa, quem acaba fazendo meu horário de trabalho são as clientes. O dia de maior movimento é de sexta-feira.
As clientes que já me conhecem costumam ligar antes de vir, e elas também indicam meus serviços para outras pessoas, e é assim que ganho novas clientes.
Meu trabalho é legal, pois consigo desenvolver várias amizades. Mas também tem o lado ruim. Trabalhar em casa faz com que eu perca um pouco da minha privacidade. Tem gente que acha que pode chegar sem marcar hora, simplesmente vai chegando e entrando, e eu tenho que atender... Não é só porque são minhas amigas e acham que eu vou estar em casa, que elas não precisam marcar hora.
CINTIA – Você já sofreu algum acidente de trabalho?
VALDIVIA – É normal se queimar com a cera quente.
CINTIA – Você paga o INSS?
VALDIVIA – Não.
CINTIA – Você gosta do seu trabalho? Está procurando outro emprego?
VALDIVIA – Gosto sim. Gostaria de um emprego registrado, mas não tenho procurado.
Acho que ninguém, por livre e espontânea vontade, escolheria trabalhar assim como eu.
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10:08
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por Cintia S. Nardelli
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Perfil: "Brincadeira"
É assim que Dirce Gonçalves da Gouvea, de 66 anos e santista de nascimento, caracteriza cada trabalho que faz para ajudar a sustentar a família. Na casa dela, são seis pessoas ao todo; a filha caçula, de 38 anos, e os três netos. A única renda fixa, assegurada pelo governo, é a aposentadoria de seu marido.
Atualmente “brinca” com serviços de corte-e-costura e com a venda de doces, além de trabalhar em uma barraca de Tempurá na Feira Artesanal do Sesc - Santos (SP) duas vezes por semana.
A barraca de Tempurá
Lá, o dono do negócio é o Seu Minoro, amigo seu. O ponto está regularizado, mas ele não registrou Dirce em carteira. Não que ela sinta-se prejudicada com isso. "Eu me divirto", conta. "Saio de casa às 5h da manhã e pego o último noturno. Lá tem umas cabecinhas frescas, uma turma jovem, piadista. E eu me divirto com eles". Chega em casa entre 13h30 e 14h.
Mas é em casa que a brincadeira fica séria.
Na semana passada, por exemplo, Dirce estava ocupadíssima com a máquina de costura. Ficou responsável pela confecção de todo o figurino de Amadeus, peça de teatro em cartaz na Cultura Inglesa de Santos. Vestidos, ternos, saias, sobre-saias. Roupa que
dá brilho a um elenco de 20 atores. Cobrou em torno de R$50,00 para cada, tirando a compra da nota fiscal.
De que forma isso é feito?
Isso prefiro deixar para o próximo post. Até sábado, então!
às
19:17
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por Marina Guimarães
Doce informalidade
Ano passado, enquanto estava no 3º ano do Ensino Médio, Renata Semeraro, 18, tornou-se mais um dos muitos trabalhadores informais do Brasil. Filha de Sílvio e Marta Semeraro, começou a vender trufas e alfajores para ajudar a mãe, trabalhadora autônoma. A princípio, apenas para seus amigos de sala e, mais tarde, também para todo o colégio.
Hoje, também com o pai desempregado, os doces continuam fazendo sucesso com seus amigos da sala de Jornalismo, na UMESP (Universidade Metodista de São Paulo). E, assim, ajuda também a pagar a sua condução até a faculdade.
Apesar de reconhecer a ausência de benefícios no seu trabalho, bem como a falta de estabilidade de renda e o prejuízo nos meses de férias, nos quais ela perde os ‘clientes’ da faculdade, Renata gosta do que faz. Lidar com pessoas é o que ela gosta de fazer, e, também por isso, escolheu um curso na área de Comunicação Social. Além disso, sempre ajudou a divulgar o trabalho de sua mãe.
Sobre o seu futuro, claro que ela procura um trabalho de carteira assinada. Mas nem por isso quer parar de vender doces, os quais ela sabe que continuarão ajudando para complementar a renda em casa, na qual mora com os pais e os dois irmãos: Vitor, 16, e Igor, 13.
às
11:00
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por Aline Torrieri
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
A ilusão vinda do trabalho informal
As vantagens e desvantagens do trabalho informal já são bastante conhecidas pela sociedade; e acredita-se que ninguém trabalharia sem registro, se pudesse escolher.
Mas eu conheci e entrevistei uma mulher que pensa diferente e percebi que um dos maiores problemas que o trabalho informal traz é a ilusão.
Denise Andriani, 51, vendedora ambulante de doces, salgados e sucos e residente em Santos, litoral de SP, acredita que tem uma ótima profissão. O nível de escolaridade dela é de 2º grau incompleto e o máximo que consegue ganhar em um mês é R$1300. Denise realiza essa atividade há 7 anos e não teve muitos trabalhos anteriores registrados na carteira de trabalho.
Durante a entrevista, ela conta como gosta da liberdade que tem para trabalhar como, onde e quando quer; e mesmo trabalhando até às 22h da noite, diz que não trocaria seu trabalho por um registrado. “Não. Nunca. Imagina que eu ia querer alguém mandando em mim”, disse Denise confiante.
Ela sonha em viajar no futuro, mas quando perguntei como pensava em se sustentar quando não pudesse mais trabalhar e não recebesse aposentadoria, ela parou por um instante. “É. Eu penso em colocar um dinheirinho em previdência”, foi sua resposta.
O grande problema do trabalho informal é a comodidade que ele traz para as pessoas. Talvez Denise só pense no presente porque não tem muita instrução. E é uma pena saber que muitas outras pessoas estejam passando pela mesma situação.
Na foto: Denise Andriani em sua rotina de trabalho.
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14:51
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por Carolina Rodrigues
domingo, 2 de setembro de 2007
Conhecendo uma realidade
Como tenho essa realidade bem próxima, resolvi entrevistar meu pai que é um desses trabalhadores. Ele se chama Sérgio Zacharias Nardelli, 46, e é motorista e vendedor de gás de cozinha. Todos os dias ele sai com seu carrinho carregado de gás e
água mineral para vender nas redondezas do bairro.Resolvi fazer algo diferente e colocar a entrevista completa abaixo.
CINTIA – Como e por que começou a trabalhar vendendo gás?
SÉRGIO - Após ter sido demitido de uma metalúrgica no Ipiranga, um sobrinho da minha sogra me convidou para este serviço. Como não conseguia outro emprego, acabei aceitando e estou nele até hoje.
CINTIA – Há quanto tempo trabalha com isso?
SÉRGIO – Aproximadamente seis anos.
CINTIA – Quanto você costuma tirar de salário por mês?
SÉRGIO – Mais ou menos R$ 1.100,00 de salário bruto.
CINTIA – É o suficiente para sustentar uma família?
SÉRGIO – Não.
CINTIA – Você mesmo paga os seus impostos, como INSS, e arca com todas as despesas do veículo? A distribuidora ajuda em alguma coisa?
SÉRGIO – Sim e do veículo também. A distribuidora não dá ajuda de custo.
CINTIA – Conte um pouco como é seu dia de trabalho desde quando acorda até a hora em que vai descansar.
SÉRGIO – Começo a trabalhar aproximadamente às 7:30 da manhã e encerro às 18:30 da tarde. Ando pelas ruas oferecendo gás e água mineral. Entro em várias casas por dia, converso com muita gente e ouço várias historias.
Algumas vezes quando chego em casa, depois que eu já estou descansando, ligam algumas pessoas me pedindo gás. Geralmente são conhecidos mais chegados que ligam à noite ou quando estou almoçando em casa.
CINTIA – Quantos dias por semana você trabalha? E quantas horas por dia?
SÉRGIO – Tem variações no mês. As vezes os sete dias por semana, e outras seis dias. Aproximadamente 10 horas por dia.
CINTIA – Você já sofreu algum acidente de trabalho vendendo gás?
SÉRGIO – Já. Foi em 2003. Escorreguei de uma escada de alvenaria segurando um botijão de gás vazio. Quebrei o pulso e tive que fazer uma cirurgia para colocar uma placa de metal e alguns pinos. Fiz fisioterapia por alguns meses. Agora já está tudo normal.
CINTIA – Você está feliz com seu trabalho?
SÉRGIO – Não. Estou a procura de um emprego melhor.
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por Cintia S. Nardelli

